Se tratando de viagem, uma das frases que mais ouço é: “Para viajar assim é porque deve ganhar bem, hein?”

Mas acho que a frase que mais se adequa é: “Todo mundo vê as pingas que eu bebo, mas não vê os tombos que eu levo”.rs

Como quase tudo na vida, é uma questão de PLANEJAMENTO e de ESCOLHAS.

Eu morava em Minas com meus pais, tinha meu carro e era bem baladeira, saía todo final de semana, resumindo, quase todo meu dinheiro ia para a “vida social”.

Surgiu uma oportunidade e me mudei para São Paulo, ganhando um pouco menos que ganhava lá, tendo que arcar com as despesas de uma casa sozinha (aluguel, água, luz, internet) e ainda as viagens para casa aos finais de semana.

Para muita gente, aquilo não fez sentido (inclusive para mim, em alguns momentos), mas foi aí que as frases que meus pais me diziam começaram a fazer sentido: “você não é todo mundo”, “você não tem que aceitar todo convite que te fazem”.

Não foi fácil, mas tive que aprender a fazer escolhas, como sair menos e ficar mais em casa, ir menos vezes para Minas, dizer “não” várias vezes para os convites feitos por amigos, comprar as coisas de forma mais consciente e por aí foi… Pode parecer fútil, mas era minha realidade. Na época, tinha um valor guardado que me ajudou, embora fosse pouco.

No sufoco, aprendi a me planejar e foi com todas essas novas despesas que consegui fazer minha primeira viagem internacional.

Planejamento

Pelo meu perfil, não consigo de livre e espontânea vontade ter disciplina para guardar dinheiro, então eu me obrigo a guardar um pouco todo mês. Foi o que me ajudou na época e faço hoje para minhas viagens. Já fiz cofrinho, alguns consórcios, título de capitalização, outros débitos programados e, assim, consigo guardar. O valor tem que sair da minha conta corrente.

Há pessoas que colocam no cofrinho, então, se gastaria R$ 100,00 no fim de semana, mas ficou em casa, joga esses R$100,00 no cofre e é vida que segue.

O legal é ter uma ideia de quanto precisa e para quando precisa desse valor, assim consegue se programar para ter o dinheiro a tempo da viagem.

Para isso, quanto antes iniciar suas pesquisas e seu planejamento, melhor. Eu, por exemplo, já volto de uma viagem programando a próxima.

Passagens

Como as passagens representam um dos maiores gastos no orçamento da viagem, outra coisa que ajuda muito é os programas de pontos e de milhagens. Procuro, sempre que possível, comprar tudo no crédito (desde que você tenha controle para pagar sempre o total da fatura, é a melhor coisa). Dessa forma, eu acumulo pontos no programa de relacionamento do meu banco e, depois, troco por milhas.

Procuro o preço de passagens mais baratas pelos principais buscadores, olho o preço diretamente no site das companhias aéreas, vejo quanto ficaria a troca por pontos e, em seguida, fecho da forma que compensar mais.

Já fiz algumas viagens, ida e volta, só na pontuação, ou seja, não tive o gasto com a passagem de fato, o que ajuda bastante a economizar na viagem.

Destino

Se você tem flexibilidade para viajar quando quiser, ótimo! Há vários apps e sites com promoções fantásticas em datas específicas. Algumas são inacreditáveis.

Eu, como reles assalariada, já tive que fazer escolhas como ir para o destino do sonho e vender um rim, ou ir para um destino que não imaginava, mas que tinha o preço bacana, e quer saber? Foi incrível! Superou qualquer expectativa!

Esteja aberto às possibilidades! Pode ser que, com o seu orçamento, não dê para realizar seu sonho, mas dê para ir para um lugar que irá te surpreender.

Pesquise, pesquise e pesquise! Há as armadilhas de falsos destinos baratos, ou seja, você compra a passagem correndo porque está super barata, sem pesquisar os custos do local e, ao chegar, a surpresa pode ser desagradável, como câmbio desfavorável e custo de vida elevado.

Hospedagem

Quem não gosta de um resort all inclusive, no qual a sua maior preocupação é acordar e ir para piscina? Mas todo esse conforto tem um preço e não julgo quem opta por isso.

São questões de prioridades, por exemplo, se meu plano é ficar fora o dia todo, andar e conhecer de fato o local, para mim, não há necessidade de gastar grande parte do orçamento com hospedagem, dessa forma, procuro sempre hostel, pousada ou hotel bem simples, pois o que preciso é de um banho quente, uma boa noite de sono e um local que seja de fácil acesso, com localização estratégica (vai economizar no transporte).

Há plataformas como Couchsoufing (gratuita) que permite se hospedar na casa de um hosts, de forma gratuita. O interessante, nessa forma, é o intercâmbio cultural, ou seja, como hosts, você pode conhecer pessoas do mundo todo, trocar experiências, enquanto, para o viajante, além da experiência, é a garantia de um sofá para dormir sem custo nenhum. Normalmente, nesse modo, são poucos dias de hospedagem.

Outra plataforma é a Worldpackers, que permite trocar trabalho por acomodação, podendo ser de duas formas: o Work Exchange, em que você troca suas habilidades (pode ser em hostels, albergues ou pequenos negócios); ou o Voluntariado, que pode ser o trabalho social em ONG’s, escolas, projetos sociais ou o de natureza e bem-estar, trabalho relacionado ao cuidado com animais, fazendas, plantio etc.. Geralmente, o Woldpackers é mais utilizado em viagens mais longas ou intercâmbios.

Escolhas

Já passei mal em viagem e deixei de ir ao médico, pois estava sem seguro saúde, sem dinheiro e não tinha limite no cartão para continuar a viagem e pagar despesas médicas; já dormi no chão do aeroporto; já dormi em casa de amigos que conheci pelo caminho e peguei muito ônibus noturno para poder economizar na hospedagem. Mas isso ninguém fala!

Essas economias me permitiram saltar de Bungee Jump e fazer aula de surf, que não estavam no planejamento, me permitiram fazer uma viagem mais longa do que imaginava ou fazer outra viagem.

Economizo sempre que possível para poder fazer o que não estava planejado, para não precisar passar vontade. Por exemplo, pode comprar coisas no supermercado e fazer sua própria comida para compensar e comer um dia naquele famoso restaurante; ou pode economizar na hospedagem para realizar aquele sonho, fazer algo que só tem naquele lugar. Mais uma vez, escolhas!

Viajar para o exterior pode ser sim mais barato do que viajar no Brasil, mas tudo é relativo. Depende do destino, de quantos dias será a duração e, principalmente, o estilo da sua viagem.

Não precisa ser rico, precisa ter vontade e planejar!

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