A travessia Petropolis x Teresopolis, são 3 dias de caminhada, cerca de 28km de percurso, e considerada uma das mais bonitas do país.

Impossível não se encantar com as montanhas, os paredões e avistar de cima, o famoso Dedo de Deus. É deslumbrante estar ali e vivenciar cada momento!

Após pesquisar um pouco, encontramos uma agência pela internet que faz a travessia e fechamos o passeio. No dia combinado, pela manhã, nos encontramos na entrada do PARNASO (Parque Nacional Serra dos Órgãos) em Petrópolis com nossos guias e nosso grupo. A aventura começa ali! 

Parque Nacional Serra dos Órgãos – Sede Petrópolis

Primeiro dia – Parnaso x Castelo Açu

No primeiro dia saímos da entrada do Parque e fomos em direção ao Castelos de Açu (2.232 m de altitude; com um desnível de 1.100 m), que pra mim foi o trecho mais cansativo, considerando que sou totalmente sedentária.

Foram 8km de caminhada pesada, as subidas são íngremes entre rochas, e com sol forte, já contando as pausas para lanches e almoço. 

Após 40m a 1h de caminhada, fizemos a primeira parada próximo à cachoeira Véu das Noivas, onde aproveitamos para descansar, reabastecer as garrafas e fazer o primeiro lanche.

Há quem aproveite para ir até a cachoeira e entrar na água, mas a maioria optou por só descansar.

Seguimos subindo, e a segunda parada é na Pedra do Queijo, mais ou menos 1h depois da cachoeira. Ali descansamos novamente, tiramos algumas fotos e aproveitamos para mais um lanchinho.

A terceira parada é para o almoço, no Ajax, onde descansamos novamente e aproveitamos para completar as garrafas.

O próximo trecho foi particularmente muito puxado e cansativo. Além de ser a parte mais íngreme, é totalmente exposta, fazendo sentir um cansaço ainda maior devido ao sol.

Meu lema era devagar e sempre, e contei com o Daniel (guia) e a Thais que me fizeram companhia durante o trajeto, já que havia ficado por último.

Ao final deste trecho, chegamos ao Chapadão do Açu, que marca mais da metade do trajeto, quase chegando aos Castelos. Ali meus olhos marejaram e a vista recompensou o meu esforço e me fez ter certeza que desistir não era uma opção. Descansamos um pouco e recarregamos a energia para continuar o caminho.

Chapadão do Açu
Cara de alívio, de quem descobriu que já tinha passado o pior.

Seguimos, e passamos pelo Mirante Graças a Deus, o qual o nome fez todo sentido ao entender que já estávamos quase chegando, rs!

Finalmente, avistamos os Castelos do Açu, mas antes de ir ao abrigo, deixamos as mochilas no chão para aproveitar o visual e curtir o por do sol, e esta vista vale todo o esforço feito até o momento. A Montanha tem uma vista privilegiada do Rio de Janeiro de um lado, e do outro, as montanhas da Serra dos Órgãos.

Castelos do Açu
Por do sol no cruzeiro

Além do por do sol que é maravilhoso, vale a pena, após o jantar ir até as pedras e se deitar para ver o céu estrelado.

Segundo dia – Castelo Açu x Pedra do Sino

Acordamos as 5h da manhã para ver o sol nascer, e é lindo!! (E frio). Dava para assistir o expetáculo da varanda, mas optamos por subir as Pedras e ter uma vista mais abrangente.

Nascer do sol no segundo dia
Quase 6h da manhã e sol já estava “alto”
Vista do abrigo, do alto da pedra que vimos o nascer do sol

Voltamos para o abrigo, preparamos o café da manhã, juntamos as mochilas e seguimos em direção à Pedra do Sino. O caminho foi mais técnico, porém como o trajeto era alternando entre subida e decida, achei mais tranquilo, e aparentava ser menos cansativo do que o primeiro dia.

Morro do Marco e uma pausa para tenar tirar foto do grupo todo

Alguns pontos técnicos do caminho são conhecidos e temidos por alguns, mas no geral achei tranquilo. Entre eles estão o elevador, mergulho e cavalinho. 

O elevador, é uma via ferrata, ou seja, um trecho da trilha bem íngreme, quase um paredão, com vergalhões chumbados, que auxiliam a subida. Antes do elevador há uma cachoeirinha bem gostosa que dá para descansar um pouco e abastecer as garrafas. 

Após o elevador, chegamos à Pedra do Dinossauro que tem um visual fantástico das cadeias de montanhas mas famosas, como os Portais de Hércules, Dedo de Deus, Pedra do Sino e Garrafão.

Pedra do Dinossauro

Já o mergulho, é um trecho onde para descer as pedras, os guias colocam um “corre-mão” com corda para apoio, passa-se a mochila para o guia e você desce umas duas ou três pedras quase sentado, mas dentre os trechos técnicos, pessoalmente, achei o mais tranquilo.

Saindo do mergulho, seguimos para uma trilha íngreme, na qual está o temido cavalinho.

Pedra do Sino, vista debaixo, antes da passagem pelo cavalinho

Para chegar nesta pedra é necessário subir alguns degraus, e ali faz-se um trecho estreito, com paredão de pedras à direita. Ali tiramos as mochilas e vamos passando para os coleguinhas da frente até chegar ao guia que vai içando as mochilas.

O cavalinho é uma pedra que é necessário pular, mas não é tão simples, é necessário montar na pedra, apoiando a perna esquerda e jogando a perna direita por cima, como se fosse um cavalo. E claro, cuidado! Há um abismo ao lado, rs. Neste trecho, os guias orientam qual pedra segurar, aonde pisar, sem falar que há cordas de segurança.

Fila para o cavalinho (é aquela pedra maior do topo)

Passado o cavalinho, seguimos numa trilha com pedras e raízes até chegar na bifurcação que divide o caminho para o abrigo e para Pedra do Sino.

Optamos ir direto para Pedra do Sino, subimos as pedras e sentamos no topo, e com uma visão 360º nos deitamos para curtir o restinho do sol e o calor das rochas, fizemos mais um lanche, e curtimos o céu mudar de cor, enquanto o sol se punha.

Fim de tarde da Pedra do Sino

Com o fim de tarde e início de noite, veio o frio e descemos para o segundo abrigo, onde preparamos o jantar, nos agasalhamos e saímos para curtir o céu estrelado. Dali era possível avistar as luzes do Rio de Janeiro. Voltamos e descansamos para o último dia.

Terceiro dia – Pedra do Sino x Teresópolis

Novamente acordamos as 5h para o ritual do nascer do sol. Seguimos uma pequena trilha e fomos até às pedras da noite anterior. De onde vimos as estrelas, agora víamos o sol nascer, que devagar ia raiando, iluminando o dia e nos aquecendo. 

Segundo nascer do sol

Voltamos ao abrigo para o café, juntar nossa coisas e seguir para o fim da travessia.

Esse foi o dia mais tranquilo embora fosse uma distância maior a ser percorrida, 11km, a trilha foi de aproximadamente 4h, pois era só descida, e a maior parte da trilha foi em trechos com mata ou mais fechados.

Chegamos na Sede do Parque em Teresópolis por volta as 12h, e como havíamos combinado o traslado ficamos por ali, deitada na grama aguardando nosso transfer. Caso pretenda ficar em Teresópolis há opção de aproveitar o dia no Parque, há cachoeiras e alguns poços para mergulho.

O que levar?

Equipamentos/Itens pessoais

Mochila cargueira com capa de chuva
Saco de dormir extremo 0ºc, caso fique no camping ou bivaque leve também isolante térmico
Agasalhos em camadas (ex.: abrigo impermeável, fleece e segunda pele)
Calças resistentes ao frio e umidade
Lanterna e pilhas reservas
Cantil ou garrafa – mínimo 2 litros
Capa de chuva
Meias
Gorro e luvas
Protetor solar
Boné
Óculos escuros
Bastão de caminhada
Clorin (purificador de água)
Remédios regulares
tens de higiene pessoal
Saco de lixo (o lixo produzido deve retornar)

Comidas

 O ideal são lanches de trilha, afinal serão 3 dias e duas noites. Leve itens leves, práticos e que sejam nutritivos, como: Castanhas, frutas secas, barras de cereal, bolachas, ovos cozidos na casca, macarrão instantâneo, tapioca, pães, salame, queijos, café solúvel. Lembre-se que irá carregar montanha a cima, todo o peso.

Quanto Custou?

Para os 3 dias e duas noites, o valor que paguei foi de R$ 450,00 (inclui os guias, ingressos do Parque, 2 pernoites em beliche, bivaque ou camping, e direito a dois banhos)

Há uma opção que inclui jantar e café da manhã para 2 dias, e sai por R$ 820,00 por pessoa.

Aonde dormir?

Pernoitamos nos abrigos nas duas noites e reservamos com antecedência optando pela beliche, que acho ser a melhor opção, em relação à conforto.

No primeiro abrigo, não havia água quente, então encarei um banho de gato na água gelada, e mesmo com o frio foi uma delícia após o dia puxado. Já no segundo abrigo, houve um problema e faltou água, e o que salvou foi o banho de lenço umedecido, rs.

Aonde fechamos os passeios?

Falamos com a Maiara e fechamos com Amantes da Montanha, que são guias locais e condutores de trilha credenciados. Na nossa travessia os guias foram o Daniel e o Lucas, que foram muito atenciosos no trajeto. No pacote não está incluso o transfer até o Parque mas eles indicam alguém de confiança.

Precisa de Seguro Viagem?

Você sabia que grande parte das empresas que oferecem plano de saúde possuem apenas cobertura estadual? E, mesmo os planos que possuem abrangência nacional, podem oferecer serviços mais concentrados em uma determinada região?

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Dicas:

Ficamos em abrigo, e fechamos o pacote mais barato, então além das roupas levamos comida para os 3 dias, água e saco de dormir.

Iniciei o trajeto com aproximadamente 12kg nas costas, o que foi muito cansativo, sendo assim na hora de montar a mochila pense no que realmente precisa levar! 😉

Se for sedentário como eu, é possível fazer o trajeto mas é sofrido. Para ajudar havia dormido 9h nas ultimas 48h, então estava muito cansada. Para o travessia, tenha uma boa noite de sono e tente se preparar com antecedência, faça atividades físicas.

Há opção de fazer a trillha no caminho inverso, Teresópolis X Petrópolis, mas acredito que seja mais puxado.

Leve um carregador portátil para não ficar sem bateria, já que não há tomadas nos abrigos.

Durante a trilha use roupas leves e não esqueça do protetor solar, óculos e boné.

Por último, mas não menos importante: Se divirta! Aproveite!

Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu, é sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu” Ana Vilela

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2 comentários em “Travessia Serra dos Órgãos – 3 dias”

  1. Márcia R. F. Silva

    Marcela, achei demais!!
    Já tive o prazer de conhecer Teresópolis e Petrópolis, porém nunca fiz este passeio. Mas os seus comentários e fotos exibidas me deixaram com vontade de conhecer e me aventurar. Com certeza, assim que possível irei fazê-lo!!

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