Nasce uma paixão

Em fevereiro de 2019 estive na Chapada dos Veadeiros me encantei! Mais que isso, de alguma forma nasceu um sentimento de pertencimento, e senti que não seria minha última vez naquele lugar que até então era tão distante. Para chegar à chapada, passei pouco mais de 24h em Brasília, e o sentimento não foi assim tão diferente.

Em novembro de 2019 me mudei com a cara e a coragem para Brasília, e agora, tão pertinho, não poderia deixar de voltar.

Aconteceram tantas coisas e finalmente consegui voltar, para aquele lugar que me sinto em casa. Dessa vez a visita foi um pouco mais rápida, mas foi o suficiente para conhecer pessoas e lugares que ficarão para sempre na memória.

Antes das dicas e roteiros, algumas informações que não podem passar em branco…

Você sabe o que é uma Chapada?

Na verdade, é uma definição geográfica e geológica que corresponde a uma área de dimensões consideráveis, com topo essencialmente plano e localizado em uma região elevada. Normalmente nessas áreas é comum a vegetação rasteira, e um grande número de vales, cachoeiras e rios.

No Brasil temos 5 principais chapadas:

  • Chapada dos Veadeiros – GO
  • Chapada Diamantina – BA
  • Chapada dos Guimarães – MT
  • Chapada das Mesas – MA
  • Chapada Araripe – CE

Sobre o Cerrado

O Cerrado, também conhecido como savana brasileira, é o segundo maior Bioma da América do Sul, com centenas de espécies nativas e espécies endêmicas, além de servir de corredor de transição entre os biomas.

É no cerrado que estão as 3 maiores bacias hidrográficas da América do Sul e são responsáveis pela produção de 40% da água do Brasil.

Qual a melhor época para visitar a Chapada dos Veadeiros?

Acho uma pergunta bastante relativa. Durante a estação da seca (abril à setembro), as cachoeiras se tornam “mais seguras”, e por não ter chuvas, as águas ficam mais cristalinas, mas alguns atrativos podem não ser tão bonitos por ter baixo nível de água.

Já na estação das chuvas (outubro à março) alguns atrativos são fechados por ser inviável a entrada devido ao risco, e em alguns lugares a água pode ficar um pouco mais turva ou haver risco de tromba d´água, porém o fluxo de água nas cachoeiras é bem maior, dando mais emoção e beleza.

Visitei a Chapada nos dois períodos e consegui aproveitar bastante, mas são de fato diferentes paisagens.

Como otimizar o tempo na Chapada dos Veadeiros?

A Chapada dos Veadeiros é gigantesca e a microrregião engloba os municípios de Campos Belos, São João D’Aliança, Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Alto Paraíso de Goiás, Teresina de Goiás, Colinas do Sul e Nova Roma, dessa forma já pesquise antes os atrativos que deseja conhecer, e tente escolher os atrativos mais próximos da sua base.

Embora na maioria dos atrativos não seja obrigatória a presença de um guia, o ideal é que contrate, afinal o guia não tem apenas o conhecimento básico da trilha (que em alguns casos podem ser confusas) e como chegar ao atrativo, mas também vai te orientar os melhores horários, mostrar os locais nem tão conhecidos ou escondidos dos atrativos, os melhores lugares para banho, o que evitar fazer, além de fomentar a economia local.

Há opção de contratar um guia no CAT – Centro de Atendimento ao Turista da cidade, mas recomendo que contrate antes, dessa forma já chega na cidade com o guia fechado e ganha tempo para os passeios.

Fechamos os 3 dias com o Rodney da Chapada Adventure, que tem uma vibe incrível, e ainda foi nosso motorista e fotógrafo! Pode clicar aqui e combinar seu passeio com ele.

Dia 1 – Catarata dos Couros

Essa é a queridinha e uma das mais conhecidas da Chapada. Ela fica aproximadamente à 50km de Alto Paraíso, sendo destes uns 30Km em estrada de terra.

O segredo na Chapada é devagar e sempre, e jamais se estresse!

Esse percurso dá quase 1h30, já que a estrada de terra tem trechos que não irá passar a 10km/h.

Nos Couros a entrada é gratuita, mas é cobrado uma colaboração no estacionamento, que pode ser cerca de R$ 10,00 à R$ 15,00 por veículo.

Iniciamos a trilha com a ida ao mirante, que recomendo fortemente, já que tem um visual fantástico, mas não são todos os guias que passam por lá, então sugiro combinar este caminho. Ali podemos ver a Catarata dos Couros de frente, e subindo mais um pouco, avistar os cânions. Para chegar ali tem uma descida íngreme, e como a volta é pelo mesmo caminho, respire fundo e vá. A trilha é bem aberta, com bastante exposição ao sol.

Nossa primeira parada foi nas primeiras quedas (pra quem vê do mirante), tem um poço onde é possível saltar, e dizem que o visual debaixo é incrível. Eu estava cansada e confesso que com um certo receio pela altura, e não pulei dali, rs.

Fiquei logo ao lado, um pouco acima, onde há um poço bem rasinho com água numa temperatura super agradável, um pouquinho acima há outro poço com uma queda. Nessa queda, fomos aconselhados a não entrar debaixo, pois há um refluxo. Mas do poço de cima para o debaixo, há uma leve correnteza que vira praticamente um escorregador, e que é uma delícia. Ao redor as pedras são bem retas e ótimas pra dar aquela esticada e tomar um sol!

Seguimos nosso caminho, e passamos pelas quedas mais famosas dos Couros. É incrível ver fotos do mesmo lugar durante a seca e a época de chuvas, a diferença é gritante.

Mais a frente estava a Cachoeira da Muralha, um paredão incrível de pedras bem retas, que mais pareciam ser cortadas à mão.

Essa trilha tem o percurso aproximado de 4km, entretanto há algumas subidas bem íngremes. Dá pra ir, apenas vá com calma!

Na volta, passamos no restaurante da Dona Eleusa, para finalizar o dia com um almoço caseiro bem gostoso. Normalmente a reserva é efetuada antes de iniciar a trilha.

O valor é R$ 30,00 por pessoa e pode comer à vontade. Aproveite, a comida é caseira e deliciosa! As bebidas são por fora, mas sugiro pegar uma jarra de suco que dá para dividir com os coleguinhas. O suco de cajá estava ótimo!!

Dia 2 – Cachoeira dos Macaquinhos

Segundo dia, encontramos nosso guia novamente as 8h da manhã e partimos para mais uma aventura!

São aproximadamente 32km de estrada de chão, sendo que os últimos 900m só se chega de 4×4. No trajeto de ida, fomos contemplados com um filhote de veado que cruzou nosso caminho, pulando a frente do carro e retornando para a mata, mas foi tão rápido que nem deu para registrar.

Macaquinho é um Complexo com 10 poços e cachoeiras, e o valor de entrada é R$ 30,00 por pessoa, e também é um passeio para o dia todo.

O percurso total tem aproximadamente 6km, assim como Couros, possui algumas partes mais íngremes, mas nada impossível.

Fomos até o final, sendo a primeira parada para banho, a Cachoeira do Encontro. Ela possui uma queda forte, e água em tom esverdeado. A água desse complexo no geral, é um pouco mais fria que Couros, mas nada que você não acostume depois de um tempinho na água e com o calor que faz na Chapada.

Possui uma beiradinha rasa, em que é possível sentar e se refrescar, mas após 1,5m a 2m já fica mais fundo e não dá pé.

Se você conversar com seu guia, ele pode levar um colete salva vidas, e assim, mesmo que não saiba nadar, dá para curtir bastante o passeio.

Após cerca de 1h por ali, iniciamos nosso retorno, com a próxima parada na cachoeira da caverna. Esse poço possui uma queda menor, mas é maior e possui uma entrada para uma caverna lateral, também há uma formação rochosa na lateral direita onde é possível subir e saltar no poço. Próximo há um poço mais raso, com uma queda que mais parece uma hidromassagem.

Ficamos mais ou menos mais 1h por ali, aproveitando para curtir e em seguida voltamos à trilha.

Nossa última parada foi no Poço da Serenidade, onde deu pra dar aquela última relaxada antes de finalizar a trilha. Nessa parada havia uns trechos bem rasos, em que a agua estava praticamente morna.

Como dito anteriormente, ao todo são 10 poços ao longo da trilha. Há quem pare em todos, mas apenas dê um mergulho, tem gente que vai entrando de um em um e volta direto, mas gostei da forma que fizemos de ir direto e voltar parando, e curtindo os pontos estratégicos.

No complexo Macaquinhos há área de Camping e restaurante, mas devido a pandemia, não estavam em funcionamento.

Na volta, ainda paramos num mirante recomendado pelo Rodney para curtir o visual, e o por do sol foi visto da estrada.

Dia 3 – Cachoeira Simão Correia

Posso dizer que essa foi a cachoeira que mais me surpreendeu. Ela é um atrativo relativamente novo, cuja visitação está aberta há cerca de 2 anos, então ainda não é muito conhecida.

É uma das atrações que a visitação só é permitida durante a época da seca, uma vez que com as chuvas sobe muito o nível do rio, dificultando já a primeira travessia e deixa o percurso bem perigoso.

Saindo de Alto Paraíso a distância é de 34 km, sendo uns 30km em estrada de terra. O indicado é ir bem cedinho, já que por volta de 14h já não bate sol na cachoeira.

Essa trilha é um pouco mais longa, cerca de 6,5km de ida e 6,5km de volta. Conseguimos autorização para parar o carro próximo ao rio, o que nos fez ganhar tempo e economizar alguns metros da caminhada.

Iniciamos o trajeto atravessando o rio, que pode ser descalço pela água, ou ir se apoiando pelas pedras para não molhar os pés.

O percurso é na maioria beirando ou cruzando o rio São Bartolomeu, ou com mata um pouco mais fechada, mas ainda há alguns trechos abertos ou com subida um pouco mais íngreme para dar aquela cansadinha básica.

Depois de percorrer um pouco mais da metade da trilha, paramos num ponto para refrescar e encher as garrafas de água.

Confesso que minha imaginação as vezes vai um pouco além, e nessa trilha me senti em uma floresta encantada em algumas partes. Não sei explicar, mas parecia ser mágico!

Quase ao final, chegamos num ponto onde é preciso fazer uma escalaminhada e damos de cara om um paredão enorme de pedra, quase esculpido à mão.

Ao final dos 6,5km cruzamos o rio pela última vez, e nos vemos diante da magnifica cachoeira, e ao subirmos mais um pouco temos a visão completa do poço de cor cristalina esverdeada e a queda de 115 metros de altura. Em alguns momentos, a água nem toca o poço e se espalha em uma neblina pelo paredão.

Não estava preparada para o que via, e me emocionei com tamanha beleza e perfeição.

Cachoeira Simão Correia – Chapada dos Veadeiros

Esta cachoeira tem uma água mais gelada que as demais que fomos, e os pontos rasos e fundos se intercalam. Ao entrar no poço após 1,5m mal dá pé, mas no meio há uma parte que é possível sentar na rocha, logo em seguida fica bem funda novamente e próximo à queda há umas pedras onde dá para sentar ou ficar de pé.

Enquanto o sol bate no poço a água fica bem cristalina, e é possível mergulhar com os olhos abertos, mas não se assuste se tudo ficar um breu do nada, provavelmente chegou em um ponto onde já está com sombra.

Tivemos duas horas para curtir, fotografar, meditar e até tomar um sol, e juntamos nossas coisas para voltar. O ideal é tirar as fotos na chegada para aproveitar o sol e a iluminação.

Caso queira tirar essa foto na pedra, vá com calma! É necessário passar num trecho com pedras soltas e fazer uma pequena escalada, então vá de bota para a foto, descalço não dará certo! 😅

Dê um último mergulho antes de descer, afinal em minutos estará morrendo de calor novamente.

Ao voltar, um pouco mais da metade do trajeto paramos num ponto que haviam mais uns poços para banho e o sol mesmo que tímido ainda batia por ali. Entrei no poço de baixo, e como haviam muitas pedras ao redor, a água estava bem quentinha. Ficamos relaxando por 40 minutos e seguimos para finalizar a trilha.

A Chapada é enorme e mesmo que fique 30 dias, voltará para casa sem conhecer vários atrativos. Assim como a Simão Correia, há uma série de atrativos “novos”, ainda pouco explorados e vale a pena conhece-los para fugir do óbvio e curtir um lugar mais tranquilo.

Dicas para a Chapada dos Veadeiros:

Veículo: Se você está indo de voo até Brasília e irá alugar um carro, pode fazer o aluguel por aqui, e dê preferência por veículos mais altos, para não pegar muito nas estradas de chão. Como os atrativos são distantes o ideal é que vá de carro próprio ou já alugue em Brasília. Há alguns guias que cobram um valor maior disponibilizando o transporte, mas creio que não compense muito.

Hidratação: Seja na seca ou no período de chuvas, o cerrado é muito quente, então o ideal é que se hidrate muito. Não são todas as trilhas que têm lugares onde possa encher a garrafa de água, sendo assim é bom levar pelo menos 1,5l de água por pessoa, para que se mantenha minimamente hidratado.

Alimentação: Como há grande esforço, com toda certeza vai dar fome e não são todas as trilhas que possuem um restaurante logo na saída. Leve opções práticas e que resistam ao calor. No meu caso, levei frutas (banana, maçã, mexerica ou uva), lanche com pão e salame (combinação de proteína e carboidrato e resiste ao calor), além de castanhas e frutas secas/desidratadas. Na região você encontrará o Baru, super alimento do cerrado, que também é uma ótima opção.

Onde ficar: No nosso caso, como optamos por passeios próximos à Alto Paraíso, nos hospedamos na cidade. Pelo Booking, achamos a Pousada Centaurus que estava com o melhor custo x benefício. Ela fica do outro lado da avenida, mas há 5min da avenida principal, com café da manhã incluso, que por sinal era delicioso, quartos arejados, com ar condicionado e um banheiro legal. O Mauro ainda nos paparicava levando tapiocas quentinhas e ovo mexido no café da manhã!

Guia: Como disse acima, embora não seja obrigatório é altamente recomendável. Se possível já agende antes, para ganhar mais tempo desfrutando a Chapada. Fomos com o Rodney e super indico!!

Comunicação: Na cidade o sinal de celular é bem ruim, e provavelmente você só irá se conectar quando estiver com acesso há algum wifi, seja da pousada ou de algum restaurante. Sendo assim, baixe os mapas offline caso precise de GPS e já avise a família que o contato será limitado. A vantagem é que somos forçados a nos desconectar e conectar com a natureza.

Seguro Viagem: Ele não é obrigatório em viagens nacionais, mas principalmente se não possui plano de saúde ou se seu plano não tem abrangência nacional, é interessante contratar em qualquer viagem. De toda forma, pode fazer uma cotação aqui!

Itens Indispensáveis: Lembre-se de levar um boné ou chapéu, óculos escuros, protetor solar, protetor labial, repelente, uma mochila ajuda bastante para carregar tudo isso e não se esqueça da água e dos lanchinhos.

Vamos conversar?

Depois me conta aqui nos comentários ou no Instagram se você já conhece a Chapada dos Veadeiros. E, caso já conheça, já esteve nesses atrativos?? Tem algum que gostaria de conhecer? 😉😘

Ahh!! Se quiser saber sobre o Parque Nacional Chapada dos Veadeiros, aqui eu falo um pouquinho sobre a Trilha dos Saltos. Mas caso queira mais informações sobre a Chapada aqui tem um artigo sobre outros atrativos!

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6 comentários em “O que fazer em 3 dias na Chapada dos Veadeiros”

  1. Obrigada Mi!!! Vcs arrasaram na viagem, com toda vibe, risada e energia (e quanta energia! Rs) Amei conhecer cada um de vocês!!!🥰🥰 E estamos juntos na próxima! Rs

  2. Que blog mais precioso e rico de informações !!!! Parabéns Mah vc arrasou em todos os detalhes 💕🇧🇷🌸’! Obrigada por permitir-me fazer parte de toda essa história linda e quero deixar registrado que adorei conhecê-la ! Que vibe, que luz !!! Bjooooooooooo com muito carinho e gargalhadas 🤭 tb !!!

  3. Mah! Adoreeei! Matéria super completa. Foi um prazer te conhecer e estarmos juntas nessa incrível experiência. ❤😍 Chapada é um lugar incrível 🙏🏽🌄 Observação: a mochila laranja neon é estratégia para ser vista pelos helicópteros caso necessite de resgate kkkkkk

    1. Lua!! Obrigada!! A Chapada é um lugar incrível e de uma energia única, assim como vocês!!🥰🥰
      Amei a estratégia!! Preciso providenciar uma mochila marca texto!🤣🤣

  4. Ualll nossa quanta riqueza de informações. Fiquei super contente da existência desse blog. As fotos e vídeos ficaram ótimas. Obrigado pela presença de vocês lá na chapada. Parabéns pelo trabalho! Demonstrou talento pela “blogueiragen” rs
    Beijos
    Vinícius

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